Orar em voz alta com o meu marido é constrangedor. Como a gente começa?

Comece bem menor do que você imagina e dê um formato fixo. Trinta segundos cada um, em voz alta, no mesmo ponto da manhã, dizendo um obrigado e um pedido — é isso, e funciona muito melhor do que esperar até os dois se sentirem espirituais o bastante para fazer direito. O constrangimento é real e não é sinal de que tem algo errado com o seu casamento ou com a sua fé. Ele aparece quando duas pessoas que passam o dia falando de logística começam de repente a falar do que dá medo, uma na frente da outra. Passa em umas duas semanas.

Constrangimento é o sentimento certo, e curto é permitido

Boa parte do constrangimento vem da ideia de que orar em voz alta exige uma voz específica: mais lenta, mais antiga, com palavras que ninguém usa no café da manhã. Jesus descarta isso de forma explícita. Ele manda não amontoar frases vazias como se a quantidade de palavras fosse o mecanismo.

Ou seja, você tem liberdade para ser breve e comum. Fale como você falaria se estivesse contando para uma amizade o que está na sua cabeça hoje. Se até isso for difícil para um dos dois, escreva duas frases num papel e leia. Ler uma oração continua sendo orar, e na terceira semana o papel não vai mais fazer falta.

E orando, não useis repetições inúteis como os gentios, que pensam que por muito falarem serão ouvidos.

Mateus 6:7, BLIVRE

Duas pessoas já são o quórum inteiro

Jesus diz que onde dois estão reunidos em nome dele, ele está ali no meio deles. Dois é o número que está na frase. Vocês não são uma versão capenga de reunião de oração; vocês são a menor reunião completa que existe.

Isso importa na prática porque casal costuma adiar isso até as condições melhorarem: uma semana melhor, uma cozinha mais arrumada, uma fé mais firme. Não tem nenhuma barreira para atravessar. Duas pessoas, uma sala, trinta segundos.

Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali eu estou no meio deles”.

Mateus 18:20, BLIVRE

Vocês não vão achar as palavras certas, e isso já está resolvido

Paulo escreve que o Espírito ajuda a nossa fraqueza, porque a gente não sabe o que pedir como convém. Isso não é uma descrição de iniciantes; é uma descrição de todo mundo, escrita por alguém que orava por profissão.

Aqui vai um roteiro que elimina o problema da folha em branco. Um dos dois fala: obrigado por uma coisa específica de ontem. Depois: eu peço uma coisa específica para hoje. Aí o outro faz igual. Depois um dos dois diz amém. Se isso cair nos passos de Agradecer e Pedir de uma manhã que vocês já têm, foram noventa segundos a mais no dia.

E da mesma maneira também o Espírito ajuda em nossas fraquezas. Pois não sabemos orar como se deve, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis.

Romanos 8:26, BLIVRE

Não orem um para o outro ouvir

O salmista pede que Deus ponha uma guarda na boca dele, e é exatamente aqui que um casal precisa disso. O jeito mais rápido de matar a oração a dois é usar ela para fazer um recado — Senhor, ajuda a minha esposa a enxergar que ela foi injusta com o dinheiro. Ninguém sobrevive a ser alvo de oração, e isso ensina o seu cônjuge que estes dez minutos não são um lugar seguro.

Então combinem uma regra antes de começar: ore sobre você, e ore pelo seu cônjuge só de um jeito que você diria com tranquilidade na cara dele. Se aparecer uma queixa de verdade, ela é conversa para o passo de Conversar, olhando um para o outro, e não uma fala dirigida a Deus com o seu cônjuge de plateia.

Ó SENHOR, põe uma guarda à minha boca; vigia a porta dos meus lábios.

Salmo 141:3, BLIVRE

O que acontece de verdade se vocês insistirem

Tiago coloca confessar um ao outro e orar um pelo outro na mesma frase, e trata essa combinação como poderosa. Num casamento, o efeito prático é mais silencioso do que soa: você ouve, na voz do seu cônjuge, aquilo pelo que ele é grato e aquilo de que ele tem medo.

Essa informação é muito difícil de obter de outro jeito, porque conversa de casado é quase toda agenda e conserto. Casais que mantêm isso por um mês costumam relatar a mesma coisa: nada dramático, mas menos surpresas, e discussões que começam mais perto do assunto real.

Confessai as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pelos outros, para que sejais curados. A oração de um justo muito pode efetuar.

Tiago 5:16, BLIVRE

Se o seu cônjuge preferir não participar, e mais uma coisa

Convide uma vez, com clareza, dizendo o tamanho da coisa — trinta segundos, em voz alta, sem discussão depois — e aceite a resposta sem transformar isso numa campanha permanente. Quem foi convidado onze vezes não está sendo convidado, está sendo administrado. Ore sozinho; isso é uma oração completa, e não metade de uma. Muita gente faz o ritmo inteiro sozinha dentro de uma casa cheia de gente que ela ama e que não tem interesse, e nada nisso torna a manhã dessa pessoa menor.

Esta página não é terapia, aconselhamento nem orientação pastoral. Se o casamento está em dificuldade de verdade, orar juntos não substitui sentar com um profissional, e querer isso é sinal de que vocês estão levando a sério.

E se o seu cônjuge te dá medo, te controla ou te machuca, orar junto não é a primeira coisa a consertar, e aguentar não é tarefa espiritual. Procure orientação num serviço de apoio, com um médico ou com um advogado. No Brasil, a Central de Atendimento à Mulher atende pelo 180 e a emergência é 190. Segurança vem primeiro, e ir embora não é falha de fé.

Testem por sete manhãs antes de decidir se funciona. Quase ninguém gosta das três primeiras; quase ninguém quer largar na segunda semana.

Texto bíblico da Bíblia Livre. Creative Commons Atribuição 3.0 Brasil

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